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Hellacopters
Dani Carneiro

Cansada desse cenário triste onde a audição deu lugar à discussão, eu adquiri o álbum High Visibility da banda sueca Hellacopters, e resolvi abrir bem os ouvidos para ver o que é que há de tão bom nessa banda. Tal qual foi a minha surpresa, Hellacopters é o tipo de banda para ouvir bem alto, e para cantar junto, é o tipo de banda que te faz pegar amor por velocidade, por estradas, porque definitivamente o som é pesado, veloz e enérgico. Se você gosta de rock deprimido, esqueça! Hellacopters é para levantar defunto. É pra agitar. Um álbum para quebrar a sala de casa, bater cabeça, derrubar cerveja nos outros, e incomodar os vizinhos. As letras são joviais, que envolvem questionamentos adolescentes, nada de filosofia intelectualizada numa linguagem barata para as massas. Eles falam sobre amor, decepção, auto afirmação, festas, e alguma cerveja. Papo de gente normal e festeira, sem grandes problemas que não possam ser solucionados. Músicas como "Hopeless Case Of A Kid In Denial", "Toys And Flavors", "You’re Too Good [To Me Baby]", são no mínimo as grandiosas passagens do álbum. Citar as outras, seria redundante, visto que não há música ruim no CD. Chamo a atenção para "No Song Unheard", a única lentinha do álbum, porque até mesmo o mais selvagem dos roqueiros tem um momento de calma. O álbum não é enjoativo como o álbum de uns certos nova-iorquinos aí. Muito pelo contrário, quanto mais se ouve, mais vontade de repeti-lo surge, o som não é datado. Se for para classificar o Hellacopters, eu os colocaria na categoria hard rock. Estilo Kiss, Van Halen, Rolling Stones e AC/DC nos bons e velhos tempos.

O Hellacopters é uma banda de atitude, é bem fácil de notar isso pelo estilo de som que eles tocam. Eles têm uma linguagem e identidade musical muito própria. Não precisam parecer com ninguém, e nem ficar o tempo todo fazendo pose. Porque o talento deles e o que eles têm a dizer está todo ali, no teclado furioso, na dupla de guitarras ensurdecedoras, na bateria escancarada, cheia de velocidade, na linha de baixo significativa, enfim, no rock n’ roll competente que eles se dispõe a fazer. A banda demonstra muita segurança, e sabem exatamente o caminho que querem seguir, sem precisar tender aos modismos, e/ou ficar copiando descaradamente os clássicos do passado. Na verdade, o Hellacopters existe desde 1994, e já está no quinto disco de sua carreira, mas por algum motivo que nem Freud explica, ficaram cozinhando ali pela Europa, sem ganharem muita notoriedade. Cozinharam tempo suficiente para ganhar segurança e maturidade para explodirem para o mundo da música abocanhando importantes prêmios, e fãs de todas as partes – é o normal de uma banda não é? - E como toda banda de competência, aqui no Brasil eles não receberam toda a atenção que deveriam ter recebido. Mas é a tal da história: quem quer ouvir música de boa qualidade, abre os ouvidos e ouve, não vai atrás de visual e estilinho. O Hellacopters é a exceção à regra. E como eu li numa resenha sobre a banda: eles são os caras que vão te fazer se arrepender por ter cortado o cabelo...

2*12*2002

Dani Carneiro
Dani Carneiro faz parte do proletariado curitibano, endividada pelo álbum de raridades do Pearl Jam, tentando fazer seu nome brilhar numa placa de neon em algum boteco na Ciudad del Este.

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