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E houve tempo para o Alice In Chains Dani Carneiro
Alice In Chains. Banda orgulhosamente grunge nascida na densa Seattle. Muito antes do falecido Kurt Cobain estourar para o mundo com o Nirvana, o Alice In Chains já era respeitado nos porões de Seattle, criando música similar a outras grandes bandas da cidade na época, e que viriam a fazer relativo sucesso: o Soundgarden e o Screaming Trees. Com uma postura profundamente depressiva, o Alice In Chains figurou uma das mais importantes bandas do movimento então intitulado “grunge”. A parceria entre Layne Staley e Jerry Cantrell se destacou pelas letras, que eram referências sinceras ao uso de drogas e suas drásticas conseqüências, o destaque enfático da dor física e psicológica, enfim, retratavam o lado obscuro da humanidade. Tudo isso adicionado à característica um tanto “dark” que a banda adotou, refletida em músicas melódicas, pesadas, que deram naturalmente margem para comentários negativos. O Alice In Chains foi depreciado por soar sombrio demais, e também por ser de difícil compreensão [leia-se deprimente], pois abusavam dos vocais arrastados, e das guitarras distorcidas. Juntamente com o Soundgarden, eles foram as bandas de Seattle que mais flertaram com o heavy metal, e no seu som foram percebidas influências de grandes nomes como Black Sabbath e The Doors.Os vocais sobrepostos de Layne Staley e Jerry Cantrell tornaram-se marca registrada da banda, pois criavam o clima vertiginoso e perfeitamente melancólico apropriado para as letras mórbidas que falavam sobre solidão, decadência e morte. E foi justamente dessa maneira que Layne Staley, um atormentado do rock, teve seu fim: solitário e decadente. Viciado em drogas há muitos anos, já no segundo álbum a banda retratou em letras de duplo sentido a luta dele contra os entorpecentes. O Alice In Chains foi uma grande banda, com músicos notáveis, virtuosos e completos que sabiam alternar momentos de peso absoluto com calmarias acústicas. Souberam mesclar a violência das guitarras sujas com solos de violão contínuos. E no meio de tudo isso, inseriram letras atordoantes sobre o caos da alma humana, [e porque não?], dos próprios integrantes. Scott Weiland do Stone Temple Pilots, outro vocalista também atormentado pelo vício em heroína, já cantou em uma de suas músicas “Sell more records if I’m dead...”, levando a crer que se a morte de um ídolo do rock nessas condições não servir para alertar as pessoas dos perigos do vício, pelo menos servirá para vender mais discos. Uma frase categórica é verdade. O Alice In Chains agora vai vender mais discos do que o de costume, pois a morte de Layne Staley serviu para mitificar a banda, e enquadrá-lo no estereotipo do “jovem vocalista famoso morto por overdose”, potencializando isso o fato dele ter tido uma morte em circunstâncias não muito bem explicadas...O Alice In Chains, mesmo estando fora do circuito há uns bons anos, vendeu milhões de álbuns mundo afora e deixou uma boa discografia, contendo álbuns de estúdio, coletâneas com material inédito e discos ao vivo. Então houve tempo para o Alice In Chains. Houve tempo para sua música modelar um estilo, servir de influência para tantos outros, fixar padrões, quebrar outros, e se sobressair no mundo do rock. A morte de Layne Staley serviu para eternizar na história da música o som do Alice In Chains. Layne libertou-se de si mesmo e de seu vício pela heroína. Mesmo tendo sua vida devastada pelas drogas, para Layne a morte foi sua redenção. Para a história da música, sua consagração. 22*5*2002
Dani Carneiro
Dani Carneiro faz parte do proletariado curitibano, endividada pelo álbum de raridades do Pearl Jam, tentando fazer seu nome brilhar numa placa de neon em algum boteco na Ciudad del Este.
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